Assine   |   Site do iGov   |  Visite o portal Unicomm   |   No. 03    |   Junho / 09
UNICOMM KNOWLEDGE UNICONSULT SERVIÇOS PRODUTOS CLIENTES WEBSESSIONS CONTATO
Unicomm Unicomm Knowledge Uniconsult serviços produtos clientes websessions contato
 
GOVERNO ELETRÔNICO E
TRANSFORMAÇÃO DIGITAL
A necessidade de uma
visão mais abrangente da divisão digital
Digg  |  del.icio.us  |  Comente este artigo
Mais artigos no
TI:Gov
maio/09 - A necessidade de transformação digital para a economia do século >
maio/09 - O Governo Eletrônico no Brasil e no mundo >
junho/09 - A necessidade de uma visão mais abrangente da divisão digital >
junho/09 - Os novos estágios do governo eletrônico >
julho/09 - Município 2.0 >
julho/09 - Modelo estrutural para transformação digital e governo eletrônico (PARTE 1) >
agosto/09 - Modelo estrutural para transformação digital e governo eletrônico (PARTE 2) >
setembro/09 - Integração Eletrônica de Municípios >
setembro/09 - e-Gov e o combate a fraudes e corrupção >
outubro/09 - Visão retrospectiva e tendências para a TI (parte 1) >
novembro/09 - Visão retrospectiva e tendências para a TI (parte 2) >
 
 
 
| GOVERNO ELETRÔNICO E TRANSFORMAÇÃO DIGITAL
A necessidade de uma visão mais abrangente
da divisão digital
Inclusão e exclusão digital tem sido tratadas basicamente como a possibilidade ou limitação de acesso a recursos tecnológicos, informações e conhecimentos. Mas o que mais há para se compreender sobre os impactos mais profundos que esta divisão causa numa sociedade?

Uma origem remota

Hoje estamos atentos à preocupante questão da exclusão digital, mas a exclusão social, da qual a primeira é apenas um derivado, tem sido uma das principais causas dos desequilíbrios que as sociedades sempre viveram, remontando à toda a nossa história.

O fator contemporâneo desta questão é que o poder de penetração e disseminação que as tecnologias proporcionam (especialmente as de conectividade, como a internet) alavancam enornemente o mundo digital em todo o seu processo tanto para o bem como para o mal. Portanto, a atenção dada a este tema precisa ser muito maior, dados os impactos que podem advir sobre as sociedades, com alto potencial de desequilíbrios.
Em uma visão estreita sobre o tema, exclusão digital tem sido tratado basicamente como a limitação de acesso a recursos tecnológicos, especialmente a ferramentas computacionais e a internet. Supostamente, ao se prover o acesso a esses recursos, indivíduos e empresas ganham condições para explorar os benefícios que a nova economia pode trazer.

E pode-se afirmar isto, mesmo se o assunto for abordado em termos de competitividade empresarial: se na era industrial foi promovida uma alta concentração de poder e geração de valor, do que resultou os grandes conglomerados industriais que hoje conhecemos, atualmente as possibilidades de concentração são ainda maiores, e geradas agora não mais somente pela disponibilidade de capital acumulado ao longo do tempo, mas pelo domínio de ambientes com muito pouca possibilidade de controle, dos quais bons exemplos são as corporações gigantes emergentes atuais como Google e Amazon.

Ao lado de outras gigantes mais antigas como a Microsoft e a SAP, cada uma trilha caminhos distintos ao seu modo, e de forma declarada/intencional ou não, evoluem para um ambiente de domínio que transcende, inclusive, o poder da ação governamental.


A necessidade de uma visão mais abrangente da divisão digital

Os termos "inclusão/exclusão digital" e "divisão digital", entendidos aqui como equivalentes, referem-se ao fato de que parte significativa da população mundial não tem ou não consegue ter acesso aos recursos de tecnologia de informação e comunicação, especialmente a internet. Estudos realizados geralmente destacam fortes impactos sociais negativos decorrentes da exclusão digital.

Em uma visão estreita sobre o tema, exclusão digital tem sido tratado basicamente como a limitação de acesso a recursos tecnológicos, especialmente a ferramentas computacionais e a internet. Supostamente, ao se prover o acesso a esses recursos, indivíduos e empresas ganham condições para explorar os benefícios que a nova economia pode trazer.

“O termo ‘inclusão digital’ de tão usado já se tornou um jargão. É comum ver empresas e governos falando em democratização do acesso e inclusão digital sem critérios e sem prestar atenção se a tal inclusão promove os efeitos desejados... Inclusão digital significa, antes de tudo, melhorar as condições de vida de uma determinada região ou comunidade com ajuda da tecnologia”.

Inclusão digital, por sua vez, em geral tem sido considerada como o acesso a recursos de tecnologia de informação e comunicação e à internet. No entanto, seu problema é mais profundo que as questões relacionadas à limitação a esse acesso.

Segundo Rebêlo (2005), “o termo ‘inclusão digital’ de tão usado já se tornou um jargão. É comum ver empresas e governos falando em democratização do acesso e inclusão digital sem critérios e sem prestar atenção se a tal inclusão promove os efeitos desejados... Inclusão digital significa, antes de tudo, melhorar as condições de vida de uma determinada região ou comunidade com ajuda da tecnologia”.

A inclusão digital não se resume à disponibilidade de computadores e de conexões que dêem acesso a conteúdos e conhecimentos, mas à capacitação das pessoas para o uso efetivo dos recursos tecnológicos, tanto no conhecimento de informática como na preparação educacional que permita usufruir destes recursos de maneira plena.

Mas, o que é tão ou mais importante, inclusão digital significa reconhecer o impacto das atuais tecnologias de integração sobre a vida de uma sociedade, sobre a sua economia e desenvolvimento – o que de longe transcende o simples acesso a conteúdos e serviços –, de forma a capacitar uma sociedade a atuar de forma proativa no mundo sem fronteiras, fator determinante que mesmo estabelece as relações de poder mundial.

Governos com elevado grau de desenvolvimento no uso dos recursos tecnológicos, e cidadãos e empresas com um maior preparo intelectual dos seus usuários conseguem explorar as possibilidades que a internet proporciona de forma muito mais profunda e com muito mais efeito sobre a sua própria sociedade.

O que é tão ou mais importante, inclusão digital significa reconhecer o impacto das atuais tecnologias de integração sobre a vida de uma sociedade, sobre a sua economia e desenvolvimento – o que de longe transcende o simples acesso a conteúdos e serviços – , de forma a capacitar uma sociedade a atuar de forma proativa no mundo sem fronteiras, fator determinante que mesmo estabelece as relações de poder mundial.


Se mantida a postura relativamente ingênua de entender inclusão digital como simplesmente a facilitação de acesso à internet e às informações – ainda que sejam louváveis essas iniciativas –, maior distanciamento entre pobres e ricos deve ser esperado. A projeção que se pode fazer, sem muito risco de erro, é de que o distanciamento entre países ricos e pobres se tornará ainda maior, na medida em que os recursos mais sofisticados de acesso a informações e conhecimentos se concentrem nos países desenvolvidos, ainda que o acesso à internet seja generalizado.

Em outras palavras, será preciso fazer muito mais do que viabilizar acesso a recursos básicos de internet e computadores ou estações comunitárias, para que não venhamos a nos encontrar, em futuro não muito distante, em situação de enorme ineficiência em relação a processos muito mais ágeis em organismos e empresas de países desenvolvidos.

Ainda segundo Rebêlo (2005), “o erro de interpretação é comum, porque muita gente acha que incluir digitalmente é colocar computadores na frente das pessoas e apenas ensiná-las a usar Windows e pacotes de escritório. [...] Somente colocar um computador na mão das pessoas ou vendê-lo a um preço menor não é, definitivamente, inclusão digital. É preciso ensiná-las a utilizá-lo em benefício próprio e coletivo. Induzir a inclusão social a partir da inclusão digital é um cenário que ainda começa a ser estudado no Brasil, mas tem à frente os bons resultados obtidos pelo CDI no País, cujas ações são reconhecidas e elogiadas mundialmente”.

Muitas iniciativas brasileiras de inclusão digital promovem efetivamente a facilidade de acesso aos recursos de TIC e internet, mas falham ao não terem um direcionamento mais claro e em provocar um uso mais eficaz desses recursos. É comum telecentros viverem ocupados por jovens acessando sites de jogos ou de relacionamento, com pouca atenção sendo dada a usos mais eficazes desses recursos, tais como acesso a programas de educação à distância, aprendizagem de línguas, acesso a serviços públicos mais sofisticados, uso da internet para gerar oportunidades de inovação em pequenos negócios, entre muitos outros exemplos.


Disponibilizar recursos versus uso eficaz de recursos


Em um sentido ampliado, a exclusão digital é, além da limitação de acesso aos recursos de TIC e internet, a incapacidade de um indivíduo ou sociedade de operá-los de forma conveniente, o que impõe uma estratégia de provimento daqueles recursos, além de um conjunto de ações de capacitação que possibilitem o uso eficiente e eficaz dos mesmos.

A Índia é um país-ícone quando se fala de tecnologia, mas é bom lembrar dos com elevados índices de pobreza e desigualdade. Hoje aquele país exporta softwares e exímios especialistas em tecnologia, cobiçados pelos países ricos. Ainda assim, os números sociais da Índia são piores do que no Brasil. De acordo com dados divulgados pelo governo, nem 1% da Índia está conectada à web. Mesmo com uma população em torno de um bilhão de pessoas, em termos relativos este índice está longe de chegar aos 11% que tem acesso no Brasil, segundo o Ibope/ Netratings. No setor de telefonia, a Índia tem apenas 2,2 linhas telefônicas para cada cem habitantes, em média.

Honduras, Tailândia, Filipinas, China, África do Sul. O ponto em comum entre as iniciativas é a mesma base: o computador é uma ótima diversão, mas também é uma fonte de renda e de cidadania.

Em um sentido ampliado, a exclusão digital é, além da limitação de acesso aos recursos de TIC e internet, a incapacidade de um indivíduo ou sociedade de operá-los de forma conveniente, o que impõe uma estratégia de provimento daqueles recursos, além de um conjunto de ações de capacitação que possibilitem o uso eficiente e eficaz dos mesmos.
Segundo Mark Waschauer, autor do livro "Tecnologia e Inclusão Social: repensando a divisória digital”, professor de Educação e de Informação & Ciência da Computação na Universidade da Califórnia e integrante do Centro de Estudos em Tecnologia da Informação e Organizações, "a instalação de computadores nas escolas, por exemplo, é uma das alternativas que se mostraram mundialmente eficientes nos países em desenvolvimento – desde que seja levada a sério, com instrutores, equipamentos funcionando e diretrizes claras. São essas as grandes dificuldades. Com diretrizes sérias, o aluno não apenas aprende o que tem que aprender na sala de aula, mas também sai da escola com um ofício. A longo prazo, é notória a inclusão social que ações assim podem gerar. Por outro lado, se as pessoas não têm noção do papel que a tecnologia pode ocupar em suas vidas e suas realizações, as iniciativas existentes de inclusão digital correm o risco de se tornar meros artifícios para justificar o controle da sociedade por parte daqueles que estão por trás das tecnologias: empresas produtoras de computadores e de programas comerciais”.

Inclusão compreendida como transformação digital


Para Lévy (2000:238), “não basta estar na frente de uma tela, munido de todas as interfaces amigáveis que se possa pensar, para superar uma situação de inferioridade”. Ele recomenda que, antes, sejam criadas condições de participação ativa nos processos de inteligência coletiva, que seriam o principal interesse das pessoas pelo ciberespaço.

Segundo o mesmo autor, o ecossistema chamado de ciberespaço (o ambiente formado pelos computadores conectados à internet) suporta tecnologias intelectuais que amplificam, exteriorizam e modificam numerosas funções cognitivas humanas, como memória, imaginação, percepção e raciocínio. Visto desse modo, portanto, esse meio digital seria uma nova categoria de mediação entre o homem e o conhecimento.

Por essa razão, os impactos da exclusão digital, ou seja, a limitação de acesso ao ciberespaço, na realidade implicam em exclusão de um novo modo de viver e interagir na sociedade. Estar dele excluído significa não ter acesso ao mundo de novas possibilidades que este traz, e na realidade um mundo que, cada vez mais, submete o mundo físico, tornando este daquele dependente.

“Se há um consenso acerca das conseqüências sociais do maior acesso à informação é de que a educação e o aprendizado permanente tornam-se recursos essenciais para o bom desempenho no trabalho e para o desenvolvimento pessoal” (Castells, 2003:211). Por isto, preferimos utilizar, no lugar do termo inclusão digital, o termo transformação digital, significando a necessidade de viabilizar condições para que cada indivíduo e sociedade possa atuar nesse duplo mundo físico/ciberespaço.

© Instituto de Governo Eletrônico
WWW.IGOV.COM.BR  WWW.UNI.COM.BR
0800 725 99 09
INSCREVA-ME  |  REMOVA-ME igov@igov.com.br