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NOVAS ARQUITETURAS DE TI NO GOVERNO
Município 2.0
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Município 2.0

A evolução da Tecnologia da Informação nas organizações e o
conceito de aplicação tecnológica do Município 2.0

Os estágios do governo eletrônico - iGov

A evolução da orientação a processos

Recriando um panorama histórico com o uso da tecnologia da informação pelas instituições, podemos analisar como se deu a sua evolução e entender como as abordagens tecnológicas mudaram consideravelmente de um período a outro, perfazendo um caminho transformador na vida institucional de empresas e governos e, conseqüentemente, das sociedades.

Na primeira metade do século XX, as organizações baseavam suas operações em tarefas, e não processos, e mantinham foco na produção, fazendo uso de tecnologia industrial.

Nas décadas de 60 e 70, surgiram as primeiras tecnologias de automação da produção com o uso de sistemas de informações, e nas décadas seguintes estes sistemas integraram-se aos processos produtivos criando as primeiras redes internas e, posteriormente, os primeiros workflows e comunicações em grupos, recursos muito utilizados nos anos 80 e 90.

Embora tivessem representado um papel revolucionário em sua época, a abordagem da integração de processos destas primeiras gerações de sistemas de informações mostrou-se muito limitada. Por um lado, isto se deu pelo fato de que as dinâmicas socioeconômicas se tornam mais complexas com o passar do tempo. Por outro lado, esta limitação se evidenciou devido à própria base tecnológica destes sistemas, que forneciam apenas um âmbito reduzido de visualização e modelagem das operações organizacionais, e nem mesmo alcançavam diretamente os agentes externos da cadeia de valor.

Isto mudou apenas a partir da segunda metade dos anos 90 quando, estimulados pelos novos recursos que a comunicação via protocolos universais/internet proporcionou, a complexidade da integração de processos aumentou consideravelmente, criando uma nova malha de conexões entre agentes caracterizada pela desfronteirização entre múltiplos sistemas e múltiplos processos, e foi neste momento que a fronteira organizacional tradicional perdeu o seu sentido.

Hoje, graças às novas tecnologias da informação, as cadeias de valor interagem numa inédita flexibilidade, e ganham lugar diariamente na vida de corporações e governos que precisam entrar no ritmo dessas novas possibilidades para cumprir com eficiência suas missões profissionais.

Hoje, graças às novas tecnologias da informação, as cadeias de valor interagem numa inédita flexibilidade, e ganham lugar diariamente na vida de corporações e governos que precisam entrar no ritmo dessas novas possibilidades para cumprir com eficiência suas missões profissionais.

Atualmente estamos vivendo a convergência de todas as tecnologias orientadas a processos e integração, que se unem para formar novas e revolucionárias plataformas de processamento, capazes de tornar a integração em larga escala e a automação de processos antes praticamente impossível, e hoje relativamente simples, suportada por padrões e ferramentas poderosas.

Apesar de toda esta revolução tecnológica, que normalmente atinge primeiro as instituições privadas e depois as públicas, não é raro encontrar ainda hoje sistemas de informações públicos baseados em tarefas, e não em processos que permitam abrir uma enorme gama de possibilidades para o desenvolvimento social.

Ao compreender que a tendência da complexidade de interações ente agentes tende sempre a aumentar, como atender a demanda crescente por supri-la? As novas abordagens tecnológicas tornam isto possível, e para introduzir esta noção, pode-se começar mencionando a plataforma tecnológica conhecida como SOA (Service-Oriented Architecture) ou Arquitetura Orientada a Serviços.

As novas tecnologias para gestão

SOA - Service-Oriented Architecture

SOA é um tipo de arquitetura de software que promove a integração e orquestração de processos de uma organização por meio de serviços (componentes abertos/webservices).

O conceito de uma arquitetura tecnológica voltada a serviços significa trabalhar com processos flexíveis, que se estendem além das fronteiras da organização, por absorver as contínuas mudanças nas demandas do público atendido e dos agentes externos da cadeia de valor. Ao serem alterados, estes processos trazem novos processos decisórios e novas prioridades, porque mudam a base de conhecimentos da organização.

SOA é uma resposta a sistemas de informações monolíticos que engessam a organização. Ela cria um ambiente virtual (baseado em web) para que os serviços sejam interligados e monitorados por uma camada integradora que otimiza a interação entre agentes de planejamento, contas, operações, orçamentos, suprimentos, recursos humanos, georreferenciamento, atendimento ao cidadão, entre outros, abrangendo as interações “usuário > serviços” e “serviços > serviços”.

As vantagens essenciais da integração componentizada via SOA são:

  • Independência dos agentes externos da cadeia
  • Maior produtividade
  • Maior oferta de serviços à população
  • Preservação dos investimentos
  • Migração contínua
  • Atualização tecnológica contínua
  • Facilidade de monitorar sistemas distribuídos
  • Reusabilidade de componentes
  • Otimização da solução de aplicações: “best of breed”
  • Automação dos processos da organização

 

Além do SOA, é importante definir os outros recursos e disciplinas tecnológicas envolvidos no trabalho com esta plataforma, aptos a compor o conjunto de tecnologias do novo paradigma de TI para as organizações.

 

BPM - Business Process Management

BPM ou Business Process Management é uma disciplina que agrega diversas tecnologias específicas, com ferramentas integradas que propõe toda uma nova forma de tratar a organização e suas relações com o seu meio, por meio de uma abordagem de gestão por processos, altamente suportados por tecnologia.

Vivemos num momento de total reconfiguração do conceito de organização e das bases para a gestão bem sucedida. Pode-se dizer que o que mais amplamente distingue a performance entre uma organização/gestão e outra é a qualidade dos seus serviços/produtos e processos, como estes interagem e se integram, como alcançam a integração com as cadeias externas e como são tomadas decisões sobre os mesmos.

BPM é uma abordagem que possibilita um trabalho aprofundado de racionalização e implementação de tecnologia nos processos, permitindo que supere processos burocratizados para adotar processos inteiros, não fragmentados e muito automatizados.

BPM é uma abordagem que possibilita um trabalho aprofundado de racionalização e implementação de tecnologia nos processos, permitindo que supere processos burocratizados para adotar processos inteiros, não fragmentados e muito automatizados.

Outra característica peculiar do BPM é permitir que grande parte da “inteligência” necessária à operação dos processos - em geral tratadas fora deles, por trabalho humano -, seja agregada nos mesmos, além de possibilitar que os processos sejam reorganizados em sua seqüência e ordem, em função de cada condição operacional, de forma adaptativa.

Basicamente, o BPM é o suporte tecnológico essencial para prover uma das transformações mais profundas que estamos vivendo nas organizações: essa mudança do paradigma da estrutura orientada a processos pré-estabelecidos para a necessidade de estruturas orgânicas, adaptativas a processos também orgânicos, que se alteram continuamente para atender a novas demandas e a mudanças no corpo de conhecimentos com os quais uma organização trabalha, e também as mudanças de relacionamento da organização com outros organismos externos a ela, com os quais precisa cooperar.

O papel do BPM nesta revolução tecnológica está diretamente ligado ao SOA (descrito anteriormente), pois é em SOA que a poderosa abordagem BPM se realiza, integrando e orquestrando os processos com o uso de diferentes serviços/componentes, e sem o qual o BPM não poderia operar.

 

ABORDAGENS TECNOLÓGICAS COMPLEMENTARES

As novas tecnologias de gestão agregam à plataforma tecnológica, ainda, outros recursos independentes e específicos que se integram para atender às demandas de gestão de performance e indicadores para gestão (CPM – Corporate Performance Management e BI – Business Intelligence), estrutura da organização, cultura e pessoas (EA, ou Arquitetura Institucional), monitoramento de atividades (BAM – Business Activities Monitoring), arquitetura estratégica e de cadeias de valor (BA – Business Architecture) e regras de gestão (BR – Business Rules).

Juntas, elas completam o “motor tecnológico” da nova gestão, otimizando todo e cada aspecto específico das operações da organização, num nível de excelência até então inédito na cadeia de gestão. Este pacote de tecnologias já é considerado pelos grandes especialistas mundiais como a evolução lógica da modelagem de processos de uma organização e da arquitetura de TI.

Como a grande tendência mundial atual, é compreendido como uma framework usada para gerenciar e alinhar os processos de negócios da organização, o hardware e software de TI, as redes locais e remotas, as pessoas, as operações e os projetos com a visão estratégica geral da gestão. É uma arquitetura que põe em compasso TI e infra-estrutura, representado um link formal entre estratégia e resultados.

O impacto de seu alcance é impressionante, e especialistas em TI para gestão revelam dados sobre a projeção do domínio econômico daqueles que se anteciparem na sua adoção, criando cada vez maior competitividade e ganhos em comparação aos que mantiverem modelos tecnológicos obsoletos de apoio à gestão, de quem se distanciarão rapidamente, sobretudo no período que tem sido considerado chave na escolha estratégica que definirá o destino operacional de empresas e governos, delimitado entre os anos de 2005 a 2008.


O conceito de Web 2.0

Web 2.0 não é uma nova tecnologia, mas sim um movimento que descreve um novo paradigma na criação de sites e serviços para a Internet, visando usar melhor a rede tanto do ponto de vista tecnológico quanto socioeconômico. O termo não é tão novo, visto que foi cunhado em 2004, mas que só agora vem alcançando destaque na mídia.

Ele se refere, essencialmente, a um conjunto de princípios e práticas comuns às organizações que compreenderam as lições do pós-estouro-da-bolha da Internet, por volta de 2001, e cujos parâmetros são o planejamento responsável e o crescimento sustentado de seu veículo.

 

COMPETÊNCIAS DA WEB 2.0

Os princípios básicos da Web 2.0 relacionados abaixo serão considerados mais detalhadamente em seguida:

  1. A web como plataforma de serviços, com eficiência de custos em escalabilidade
  2. Controle sobre banco de dados, que se torna cada vez mais eficiente conforma os usuários contribuem com suas participações
  3. Inteligência coletiva agregada
  4. Confiança nos usuários como co-desenvolvedores
  5. Software para mais de um dispositivo
  6. Interfaces mais ricas e amigáveis, modelos de programação mais leves, modelos de negócios em verificação constante
  7. Auto-serviços mais facilitados ao longo de toda as cadeias de usuários

 

1) A web como plataforma

- As aplicações deixam de ser produtos, com suas licenças e vendas, restritos ao uso pelo PC, e passam a ser serviços entregues via Internet.

- Aplicações web rodam uniformemente em quaisquer ambientes.

- Beta perpétuo: atualização contínua das aplicações, em oposição ao ciclo de lançamento e atualização de um software tradicional. Em código aberto, “lançar logo, e sempre”.

 

2) Dados como a nova competência central

- Gerenciamento de banco de dados é a nova competência central, funciona como processador, robôs das operações que são responsáveis por toda a consistência e eficácia da proposta do site em relação ao público. Assim, as operações se tornam competência central, e não simplesmente o software, pois este deixará de funcionar se não receber manutenção diária > conceito de “infoware”.

- Monitoramento em tempo real do usuário.

- Os bancos de dados tornam-se cada vez mais eficientes, conforme cada usuário, ou cada ponto de uma malha de conexões, vai agregando informações a eles.

- Provê as informações obtidas nos betas perpétuos para recriar o modelo de negócios, explorando o que há de relevante e as novas demandas diariamente.

 

3) Participação – inteligência coletiva agregada

- Via dupla: o usuário recebe, e agora também produz e publica informações na Web, é um co-desenvolvedor.

- Crescimento espantoso de sites participativos em diversas funcionalidades na Internet, como blogs (diários virtuais), leilões (e-Bay), e-commerces (Amazon), sites de relacionamento (My Space, Orkut), sites colaborativos (Flickr, You Tube, Wikipedia).

- É a audiência agora quem decide diretamente o que é relevante.

 

4) Interface rica

- O usuário passa a ter uma experiência mais rica na navegação pela Internet: o ambiente agrega recursos que simulam uma aplicação desktop (PC), como drag-n'drop e atualizações instantâneas, e não apenas a sensação de “folhear” páginas numa lógica retilínea.

- Para possibilitar essas interfaces, surgem novas ferramentas e tecnologias envolvidas no seu desenvolvimento, como o AJAX (Javascript e XML), uma união de tecnologias para tornar a experiência do usuário mais rica, com interfaces rápidas e fáceis de usar.

 

5) Modelos leves de programação

- Simplicidade: modelos de programação leves que permitem a interoperabilidade entre sistemas e acoplamento de componentes.

- Programação “reciclável”, que abre margem à colaboração e contribuição.

 

6) Software para mais de um dispositivo

- Conceito de aplicação sintética, que é composta de serviços providos por múltiplos computadores.


O MUNICÍPIO 2.0

O conceito de Município 2.0 é uma abordagem aplicada à administração pública que contemple tanto os fundamentos da Web 2.0 como as novas tecnologias de gestão descritas neste documento, permitindo uma administração operacional integrada e automática, onde tudo é comandado por processos, processos são definidos e controlados pelos usuários e processos se integram uns aos outros.
 
O município 2.0 já não tem mais as antigas fronteiras organizacionais, não depende mais de infra-estrutura de TI e tecnologias proprietárias, e baseia-se numa plataforma virtual (web) onde o exercício administrativo pode ser operado com a interação completa entre seus agentes, processos, estratégia e performance.

A abrangência, impacto e verdadeira revolução que esta abordagem causa, efetivamente, no funcionamento e conseqüentes resultados do setor público, baseiam-se na imensa flexibilidade de sua arquitetura, trazendo possibilidades inéditas no exercício do governo, como:

- interagir com todos e cada elemento das cadeias de valor envolvidas nos processos de governo em tempo real, dentro e fora da organização

Receber dados, indicadores, cálculos e diagnósticos em tempo real que oferecem um verdadeiro “termômetro” em performance administrativa, monitorar os processos e operações simultâneas que envolvam servidores públicos, fornecedores, cidadãos, instituições privadas, terceiro setor e outras instituições públicas e outras possibilidades inéditas no exercício do governo

- receber dados, indicadores, cálculos e diagnósticos em tempo real que oferecem um verdadeiro “termômetro” em performance administrativa, monitorar os processos e operações simultâneas que envolvam servidores públicos, fornecedores, cidadãos, instituições privadas, terceiro setor e outras instituições públicas e, desta maneira, abrir um campo de visão e compreensão universal da gestão que capacite cada vez mais o gestor na tomada de decisões

- a abordagem Município 2.0 abrange sistemas integrados em tempo real, construídos de forma flexível, suportados por componentes elementares comandados por novas tecnologias de “orquestração” de processos, que constituem a melhor forma para obter efetivamente a automação operacional e administrativa, com aumento da agilidade e redução de custos, devido à entrega de informações consistentes que sua abordagem possibilita

- melhorar a gestão dos recursos públicos e aumentar a eficiência operacional

- criar e multiplicar canais de acesso práticos e de baixo custo para o cidadão opinar, participar das discussões públicas, do planejamento, consultar contas, dispor de serviços e utilidades públicas, dispor de um ambiente prático e acessível para se relacionar com o governo, aumentando a credibilidade deste junto ao cidadão, e conseqüentemente possibilitá-lo de rever constantemente o papel e os resultados da administração junto ao seu alvo essencial: o indivíduo social

- aumentar o refinamento no atendimento ao cidadão, dispondo de ferramentas para o usuário decidir como personalizar seu acesso aos serviços e informações no portal municipal, atendendo da maneira mais prática e peculiar às suas necessidades

- melhorar a gestão do cumprimento da legislação

- melhorar sistemas de gerenciamento de obras, contratos e recursos

- melhorar o acesso à informação e os sistemas de fiscalização

- aumentar a arrecadação com mecanismos de gerenciamento mais precisos, de maior alcance e menores custos

- melhorar a interação com outros órgãos de governo, governos de outras esferas

- melhorar a interação com outros setores da sociedade, com a iniciativa privada

- aumentar a democratização, permitindo à população agregar conhecimentos e informações relevantes à sociedade por meio do portal municipal que possam ser de real utilidade pública, ou até de utilidade à gestão, pelo fato de prover uma coleta de dados abrangente, oriunda de condições e conhecimentos distintos e peculiares, e em alguns casos até mesmo complementar as ações públicas nos serviços e pesquisas dispostas pelo governo, o que ajuda a enriquecer os benefícios iniciais dos mesmos

O município 2.0 remete à operações em tempo real, onde processos ocorrem na medida em que os estímulos os provocam. Em outras palavras, numa organização integrada em automatismo, com sistemas incorporando regras de gestão e políticas operacionais de forma flexível, o que se tem é uma estrutura muito mais ágil, leve e de baixo custo, capaz de responder rapidamente aos estímulos externos, recebendo e entregando informação consistente, que possibilitam o prosseguimento eficaz de um plano de gestão.

 

IMPACTO ECONÔMICO

O impacto socioeconômico da adoção de tecnologias que possam acompanhar as mudanças profundas na sociedade refletem-se em inúmeros exemplos. Sem deixar de citar os benefícios primários, como a redução de custos imediatos que suportes tecnológicos adequados alcançam, há ainda diversas conseqüências que influenciam a sociedade e os resultados da gestão, a citar apenas um deles: o correto preparo para captar oportunidades de desenvolvimento local.

Dados sobre a dificuldade dos órgãos públicos para executar projetos (excessiva burocracia, conflitos de autoridade, corrupção) tem sido veiculados constantemente por especialistas políticos. Isto deixa claro como o cumprimento de empreendimentos de promoção da economia local e nacional fica comprometido.

Um bom exemplo disto é o evento da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Ultrapassada a euforia inicial da conquista pela sede da Copa, os comitês organizadores já começam a planejar a infra-estrutura necessária para comportar toda a enorme demanda de um evento como este.

Porém, dadas as limitações até hoje comuns em muitos órgãos públicos - e, para efeitos deste documento, muitas prefeituras, principalmente as de cidades que vão sediar algum jogo do evento -  não preparados para trabalhar em real integração e sincronia a fim de alcançar os resultados desejados em tempo hábil para a sua conclusão, já têm sido alvo de descrédito por parte de diversos setores da sociedade, por não serem considerados aptos a executar um projeto de tal porte com o ritmo e organização necessárias, enquanto o seu recurso for uma máquina tecnológica desgastada e engessada de apoio à gestão, com as suas múltiplas tecnologias, sistemas e interfaces sem integração.


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