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As novas tecnologias para gestão
SOA - Service-Oriented Architecture
SOA é um tipo de arquitetura de software que promove a integração e orquestração de processos de uma organização por meio de serviços (componentes abertos/webservices).
O conceito de uma arquitetura tecnológica voltada a serviços significa trabalhar com processos flexíveis, que se estendem além das fronteiras da organização, por absorver as contínuas mudanças nas demandas do público atendido e dos agentes externos da cadeia de valor. Ao serem alterados, estes processos trazem novos processos decisórios e novas prioridades, porque mudam a base de conhecimentos da organização.
SOA é uma resposta a sistemas de informações monolíticos que engessam a organização. Ela cria um ambiente virtual (baseado em web) para que os serviços sejam interligados e monitorados por uma camada integradora que otimiza a interação entre agentes de planejamento, contas, operações, orçamentos, suprimentos, recursos humanos, georreferenciamento, atendimento ao cidadão, entre outros, abrangendo as interações “usuário > serviços” e “serviços > serviços”.
As vantagens essenciais da integração componentizada via SOA são:
- Independência dos agentes externos da cadeia
- Maior produtividade
- Maior oferta de serviços à população
- Preservação dos investimentos
- Migração contínua
- Atualização tecnológica contínua
- Facilidade de monitorar sistemas distribuídos
- Reusabilidade de componentes
- Otimização da solução de aplicações: “best of breed”
- Automação dos processos da organização
Além do SOA, é importante definir os outros recursos e disciplinas tecnológicas envolvidos no trabalho com esta plataforma, aptos a compor o conjunto de tecnologias do novo paradigma de TI para as organizações.
BPM - Business Process Management
BPM ou Business Process Management é uma disciplina que agrega diversas tecnologias específicas, com ferramentas integradas que propõe toda uma nova forma de tratar a organização e suas relações com o seu meio, por meio de uma abordagem de gestão por processos, altamente suportados por tecnologia.
Vivemos num momento de total reconfiguração do conceito de organização e das bases para a gestão bem sucedida. Pode-se dizer que o que mais amplamente distingue a performance entre uma organização/gestão e outra é a qualidade dos seus serviços/produtos e processos, como estes interagem e se integram, como alcançam a integração com as cadeias externas e como são tomadas decisões sobre os mesmos.
BPM é uma abordagem que possibilita um trabalho aprofundado de racionalização e implementação de tecnologia nos processos, permitindo que supere processos burocratizados para adotar processos inteiros, não fragmentados e muito automatizados.
BPM é uma abordagem que possibilita um trabalho aprofundado de racionalização e implementação de tecnologia nos processos, permitindo que supere processos burocratizados para adotar processos inteiros, não fragmentados e muito automatizados.
Outra característica peculiar do BPM é permitir que grande parte da “inteligência” necessária à operação dos processos - em geral tratadas fora deles, por trabalho humano -, seja agregada nos mesmos, além de possibilitar que os processos sejam reorganizados em sua seqüência e ordem, em função de cada condição operacional, de forma adaptativa.
Basicamente, o BPM é o suporte tecnológico essencial para prover uma das transformações mais profundas que estamos vivendo nas organizações: essa mudança do paradigma da estrutura orientada a processos pré-estabelecidos para a necessidade de estruturas orgânicas, adaptativas a processos também orgânicos, que se alteram continuamente para atender a novas demandas e a mudanças no corpo de conhecimentos com os quais uma organização trabalha, e também as mudanças de relacionamento da organização com outros organismos externos a ela, com os quais precisa cooperar.
O papel do BPM nesta revolução tecnológica está diretamente ligado ao SOA (descrito anteriormente), pois é em SOA que a poderosa abordagem BPM se realiza, integrando e orquestrando os processos com o uso de diferentes serviços/componentes, e sem o qual o BPM não poderia operar.
ABORDAGENS TECNOLÓGICAS COMPLEMENTARES
As novas tecnologias de gestão agregam à plataforma tecnológica, ainda, outros recursos independentes e específicos que se integram para atender às demandas de gestão de performance e indicadores para gestão (CPM – Corporate Performance Management e BI – Business Intelligence), estrutura da organização, cultura e pessoas (EA, ou Arquitetura Institucional), monitoramento de atividades (BAM – Business Activities Monitoring), arquitetura estratégica e de cadeias de valor (BA – Business Architecture) e regras de gestão (BR – Business Rules).
Juntas, elas completam o “motor tecnológico” da nova gestão, otimizando todo e cada aspecto específico das operações da organização, num nível de excelência até então inédito na cadeia de gestão. Este pacote de tecnologias já é considerado pelos grandes especialistas mundiais como a evolução lógica da modelagem de processos de uma organização e da arquitetura de TI.
Como a grande tendência mundial atual, é compreendido como uma framework usada para gerenciar e alinhar os processos de negócios da organização, o hardware e software de TI, as redes locais e remotas, as pessoas, as operações e os projetos com a visão estratégica geral da gestão. É uma arquitetura que põe em compasso TI e infra-estrutura, representado um link formal entre estratégia e resultados.
O impacto de seu alcance é impressionante, e especialistas em TI para gestão revelam dados sobre a projeção do domínio econômico daqueles que se anteciparem na sua adoção, criando cada vez maior competitividade e ganhos em comparação aos que mantiverem modelos tecnológicos obsoletos de apoio à gestão, de quem se distanciarão rapidamente, sobretudo no período que tem sido considerado chave na escolha estratégica que definirá o destino operacional de empresas e governos, delimitado entre os anos de 2005 a 2008.
O conceito de Web 2.0
Web 2.0 não é uma nova tecnologia, mas sim um movimento que descreve um novo paradigma na criação de sites e serviços para a Internet, visando usar melhor a rede tanto do ponto de vista tecnológico quanto socioeconômico. O termo não é tão novo, visto que foi cunhado em 2004, mas que só agora vem alcançando destaque na mídia.
Ele se refere, essencialmente, a um conjunto de princípios e práticas comuns às organizações que compreenderam as lições do pós-estouro-da-bolha da Internet, por volta de 2001, e cujos parâmetros são o planejamento responsável e o crescimento sustentado de seu veículo.
COMPETÊNCIAS DA WEB 2.0
Os princípios básicos da Web 2.0 relacionados abaixo serão considerados mais detalhadamente em seguida:
- A web como plataforma de serviços, com eficiência de custos em escalabilidade
- Controle sobre banco de dados, que se torna cada vez mais eficiente conforma os usuários contribuem com suas participações
- Inteligência coletiva agregada
- Confiança nos usuários como co-desenvolvedores
- Software para mais de um dispositivo
- Interfaces mais ricas e amigáveis, modelos de programação mais leves, modelos de negócios em verificação constante
- Auto-serviços mais facilitados ao longo de toda as cadeias de usuários
1) A web como plataforma
- As aplicações deixam de ser produtos, com suas licenças e vendas, restritos ao uso pelo PC, e passam a ser serviços entregues via Internet.
- Aplicações web rodam uniformemente em quaisquer ambientes.
- Beta perpétuo: atualização contínua das aplicações, em oposição ao ciclo de lançamento e atualização de um software tradicional. Em código aberto, “lançar logo, e sempre”.
2) Dados como a nova competência central
- Gerenciamento de banco de dados é a nova competência central, funciona como processador, robôs das operações que são responsáveis por toda a consistência e eficácia da proposta do site em relação ao público. Assim, as operações se tornam competência central, e não simplesmente o software, pois este deixará de funcionar se não receber manutenção diária > conceito de “infoware”.
- Monitoramento em tempo real do usuário.
- Os bancos de dados tornam-se cada vez mais eficientes, conforme cada usuário, ou cada ponto de uma malha de conexões, vai agregando informações a eles.
- Provê as informações obtidas nos betas perpétuos para recriar o modelo de negócios, explorando o que há de relevante e as novas demandas diariamente.
3) Participação – inteligência coletiva agregada
- Via dupla: o usuário recebe, e agora também produz e publica informações na Web, é um co-desenvolvedor.
- Crescimento espantoso de sites participativos em diversas funcionalidades na Internet, como blogs (diários virtuais), leilões (e-Bay), e-commerces (Amazon), sites de relacionamento (My Space, Orkut), sites colaborativos (Flickr, You Tube, Wikipedia).
- É a audiência agora quem decide diretamente o que é relevante.
4) Interface rica
- O usuário passa a ter uma experiência mais rica na navegação pela Internet: o ambiente agrega recursos que simulam uma aplicação desktop (PC), como drag-n'drop e atualizações instantâneas, e não apenas a sensação de “folhear” páginas numa lógica retilínea.
- Para possibilitar essas interfaces, surgem novas ferramentas e tecnologias envolvidas no seu desenvolvimento, como o AJAX (Javascript e XML), uma união de tecnologias para tornar a experiência do usuário mais rica, com interfaces rápidas e fáceis de usar.
5) Modelos leves de programação
- Simplicidade: modelos de programação leves que permitem a interoperabilidade entre sistemas e acoplamento de componentes.
- Programação “reciclável”, que abre margem à colaboração e contribuição.
6) Software para mais de um dispositivo
- Conceito de aplicação sintética, que é composta de serviços providos por múltiplos computadores.
O MUNICÍPIO 2.0
O conceito de Município 2.0 é uma abordagem aplicada à administração pública que contemple tanto os fundamentos da Web 2.0 como as novas tecnologias de gestão descritas neste documento, permitindo uma administração operacional integrada e automática, onde tudo é comandado por processos, processos são definidos e controlados pelos usuários e processos se integram uns aos outros.
O município 2.0 já não tem mais as antigas fronteiras organizacionais, não depende mais de infra-estrutura de TI e tecnologias proprietárias, e baseia-se numa plataforma virtual (web) onde o exercício administrativo pode ser operado com a interação completa entre seus agentes, processos, estratégia e performance.
A abrangência, impacto e verdadeira revolução que esta abordagem causa, efetivamente, no funcionamento e conseqüentes resultados do setor público, baseiam-se na imensa flexibilidade de sua arquitetura, trazendo possibilidades inéditas no exercício do governo, como:
- interagir com todos e cada elemento das cadeias de valor envolvidas nos processos de governo em tempo real, dentro e fora da organização
Receber dados, indicadores, cálculos e diagnósticos em tempo real que oferecem um verdadeiro “termômetro” em performance administrativa, monitorar os processos e operações simultâneas que envolvam servidores públicos, fornecedores, cidadãos, instituições privadas, terceiro setor e outras instituições públicas e outras possibilidades inéditas no exercício do governo
- receber dados, indicadores, cálculos e diagnósticos em tempo real que oferecem um verdadeiro “termômetro” em performance administrativa, monitorar os processos e operações simultâneas que envolvam servidores públicos, fornecedores, cidadãos, instituições privadas, terceiro setor e outras instituições públicas e, desta maneira, abrir um campo de visão e compreensão universal da gestão que capacite cada vez mais o gestor na tomada de decisões
- a abordagem Município 2.0 abrange sistemas integrados em tempo real, construídos de forma flexível, suportados por componentes elementares comandados por novas tecnologias de “orquestração” de processos, que constituem a melhor forma para obter efetivamente a automação operacional e administrativa, com aumento da agilidade e redução de custos, devido à entrega de informações consistentes que sua abordagem possibilita
- melhorar a gestão dos recursos públicos e aumentar a eficiência operacional
- criar e multiplicar canais de acesso práticos e de baixo custo para o cidadão opinar, participar das discussões públicas, do planejamento, consultar contas, dispor de serviços e utilidades públicas, dispor de um ambiente prático e acessível para se relacionar com o governo, aumentando a credibilidade deste junto ao cidadão, e conseqüentemente possibilitá-lo de rever constantemente o papel e os resultados da administração junto ao seu alvo essencial: o indivíduo social
- aumentar o refinamento no atendimento ao cidadão, dispondo de ferramentas para o usuário decidir como personalizar seu acesso aos serviços e informações no portal municipal, atendendo da maneira mais prática e peculiar às suas necessidades
- melhorar a gestão do cumprimento da legislação
- melhorar sistemas de gerenciamento de obras, contratos e recursos
- melhorar o acesso à informação e os sistemas de fiscalização
- aumentar a arrecadação com mecanismos de gerenciamento mais precisos, de maior alcance e menores custos
- melhorar a interação com outros órgãos de governo, governos de outras esferas
- melhorar a interação com outros setores da sociedade, com a iniciativa privada
- aumentar a democratização, permitindo à população agregar conhecimentos e informações relevantes à sociedade por meio do portal municipal que possam ser de real utilidade pública, ou até de utilidade à gestão, pelo fato de prover uma coleta de dados abrangente, oriunda de condições e conhecimentos distintos e peculiares, e em alguns casos até mesmo complementar as ações públicas nos serviços e pesquisas dispostas pelo governo, o que ajuda a enriquecer os benefícios iniciais dos mesmos
O município 2.0 remete à operações em tempo real, onde processos ocorrem na medida em que os estímulos os provocam. Em outras palavras, numa organização integrada em automatismo, com sistemas incorporando regras de gestão e políticas operacionais de forma flexível, o que se tem é uma estrutura muito mais ágil, leve e de baixo custo, capaz de responder rapidamente aos estímulos externos, recebendo e entregando informação consistente, que possibilitam o prosseguimento eficaz de um plano de gestão.
IMPACTO ECONÔMICO
O impacto socioeconômico da adoção de tecnologias que possam acompanhar as mudanças profundas na sociedade refletem-se em inúmeros exemplos. Sem deixar de citar os benefícios primários, como a redução de custos imediatos que suportes tecnológicos adequados alcançam, há ainda diversas conseqüências que influenciam a sociedade e os resultados da gestão, a citar apenas um deles: o correto preparo para captar oportunidades de desenvolvimento local.
Dados sobre a dificuldade dos órgãos públicos para executar projetos (excessiva burocracia, conflitos de autoridade, corrupção) tem sido veiculados constantemente por especialistas políticos. Isto deixa claro como o cumprimento de empreendimentos de promoção da economia local e nacional fica comprometido.
Um bom exemplo disto é o evento da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Ultrapassada a euforia inicial da conquista pela sede da Copa, os comitês organizadores já começam a planejar a infra-estrutura necessária para comportar toda a enorme demanda de um evento como este.
Porém, dadas as limitações até hoje comuns em muitos órgãos públicos - e, para efeitos deste documento, muitas prefeituras, principalmente as de cidades que vão sediar algum jogo do evento - não preparados para trabalhar em real integração e sincronia a fim de alcançar os resultados desejados em tempo hábil para a sua conclusão, já têm sido alvo de descrédito por parte de diversos setores da sociedade, por não serem considerados aptos a executar um projeto de tal porte com o ritmo e organização necessárias, enquanto o seu recurso for uma máquina tecnológica desgastada e engessada de apoio à gestão, com as suas múltiplas tecnologias, sistemas e interfaces sem integração.
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